Israel diz que Londres estará do "lado errado da história" com a aplicação de sanções
O Presidente israelita afirmou hoje que o Reino Unido estará do "lado errado da história" se impuser sanções aos colonatos israelitas na Cisjordânia ocupada, poucas horas antes de Londres anunciar tais medidas.
"Se isso acontecer, e outros países aderirem [às sanções], penso que representará um grave erro de cálculo e uma decisão que ficará do lado errado da história", disse Isaac Herzog num discurso em Jerusalém.
O ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Ed Miliband, deve anunciar novas sanções contra os colonatos na Cisjordânia na tarde de hoje, declarou o secretário do Trabalho e Pensões britânico, Pat McFadden.
Estas medidas vão visar "especificamente a expansão destes colonatos na Cisjordânia", mas "isso não significa, de forma alguma, um boicote a todos os produtos israelitas", esclareceu à cadeia de televisão britânica Sky News.
Vários órgãos da imprensa britânica disseram que Londres ia proibir a importação de produtos fabricados nos colonatos.
"As sanções não são a solução. Precisamos de diálogo. Digo a todos os governos estrangeiros: parem! Não embarquem no caminho sem saída das sanções e dos boicotes", declarou Herzog.
O Presidente israelita acrescentou que anunciar tais medidas apenas algumas semanas antes das eleições legislativas em Israel é "uma interferência flagrante nas eleições democráticas de uma nação soberana".
"Não beneficiará ninguém. Infelizmente, também prejudicará os palestinianos", privando-os de oportunidades económicas, acrescentou Herzog.
As medidas britânicas surgem quando ocorre uma crescente indignação nos países ocidentais com a aceleração do alargamento e construção de colonatos na Cisjordânia, território ocupado por Israel desde 1967.
A violência aumentou na região desde o ataque do movimento islamita palestiniano Hamas contra Israel, em 07 de outubro de 2023, com ataques quase diários de colonos e incursões regulares em aldeias palestinianas.
Há cerca de três milhões de palestinianos na Cisjordânia, que vivem com mais de 500 mil israelitas que residem nestes colonatos, considerados ilegais pela ONU e pela comunidade internacional.